quinta-feira, 31 de maio de 2012


Quero uma manhã clara e um café pra acalmar a dor.
Eu sofro de uma dor e ela não tem nome. É uma dor que vem de ser quem eu sou, com metade da dor de não pertencer a esse mundo e a dor de precisar pertencer. Ela consome como um punhal atirado pelas costas, sangrando. Pelas costas o atiraram sem olhar nos meus olhos, sem saber que é a mim quem estavam matando - e acho isso tão injusto. Então desde que nasci morro aos poucos.
Eu morro pelas pessoas que não me olham nos olhos, eu morro pelas pessoas quando não querem andar ao meu lado, morro ainda mais e principalmente pelas pessoas que olham nos meus olhos, me abraçam e enquanto eu gozo de uma pífia alegria me apunhalam o ombro ao beijar-me a face.
                   Estou sangrando, mas viver é morrer aos poucos.